Jesus

Leda de Almeida Rezende Ebner

de Ribeirão Preto, SP

O Espiritismo nos mostra Jesus como um Espírito criado como nós, simples e ignorante, pois Deus não seria soberanamente justo se criasse seres diferenciados. Todos temos de passar pelo processo evolutivo, tendo o mesmo ponto de partida, o mesmo ponto de chegada.

Jesus fez, portanto, sua evolução intelectual e moral; não sabemos onde, nem como, nem quando, mas já era perfeito antes da Terra existir.

Talvez haja Espíritos que, tendo feito sua evolução na aceitação da lei do Bem, não tenham tido tantas dificuldades como nós, Espíritos rebeldes, necessitados de viver em mundo de expiações e provas. Jesus pode ter sido um deles.

Através dos Evangelhos, vemos Jesus como um Espírito divino pela sua superioridade espiritual, pela sua vivência no amor, pelas vibrações balsâmicas, amorosas que irradiava e continua irradiando, as quais podemos sentir sempre que o mentalizamos, que meditamos em suas lições, no seu viver.

Jesus é a luz que brilha na Terra, indicando o caminho da paz e da felicidade, tão almejadas pelos homens.

Quando começamos a perceber a beleza, a sublimidade da sua mensagem e do que ele representa para todos nós, sentimo-nos tão distantes desse Irmão Maior, que pensamos jamais conseguir o que ele conquistou.

Vemos nos seus ensinos, procedimentos e atitudes, valores tão estranhos aos da humanidade em geral, ainda hoje, que pode-se pensar ter sido ele, aqui na Terra, um ser muito privilegiado por Deus ou muito ingênuo e sonhador, desligado da realidade deste mundo.

No entanto, se pararmos para refletir sobre a caminhada evolutiva da humanidade, vemos que sempre houve homens diferenciados, que procuraram nos diversos campos do conhecimento, do saber e da vivência no amor, estimular, impulsionar os homens para o progresso no Bem. Muitos ficaram restritos a determinadas regiões e não mais lembrados. Muitos outros fazem parte da história da humanidade.

Jesus, todavia, destaca-se como sendo o maior, bem acima de todos os homens, envolvendo com seu amor e sua sabedoria toda a Terra e seus habitantes. "Eu sou o caminho, a verdade e a vida e ninguém vai ao Pai senão por mim" (João, 14:6), ou seja sem a vivência das leis morais que ele viveu como ninguém.

E é graças a esse Amor Irradiante que nos envolve e nos penetra sustentando-nos, inspirando-nos, que continuamos, após dois mil anos de sua vinda na Terra, estudando seus ensinos, tentando compreendê-los e praticá-los, porque ele nos revelou que nós também podemos atingir seu grau evolutivo: "Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará..." (João, 14:12).

Jesus demonstrou-nos que só a solidariedade, a fraternidade, o perdão, a indulgência, a caridade, o amor são os sentimentos que levam a inteligência a agir no bem, individual e coletivamente.

Inteligência sem amor, sem sentimentos nobres, tem levado os homens a se destruírem porque essa inteligência estimula o orgulho e o egoísmo, fonte de todos os males existentes entre os homens.

Jesus foi o exemplo maior da inteligência e do amor na Terra. Tinha em si conhecimentos profundos das leis físicas e morais, pois era um Espírito perfeito, não com potencial em desenvolvimento, mas com um grau de evolução que lhe permitia dizer: "Eu e o Pai somos um" (João, 10:30). Fez os chamados "milagres" porque conhecia a constituição de todos os elementos físicos e químicos, sabia combiná-los para os fins desejados "Segundo a definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus" (A Gênese de Allan Kardec, cap. XV item 2).

Viveu mantendo sempre a mesma postura diante dos poderosos, do povo simples, dos que o amavam e dos que o ridicularizavam. Atendeu a quem o procurou, não buscou nem forçou ninguém. Demonstrou amor a todos os homens. Não perdeu tempo com querelas ou discussões. Fez o que veio fazer: ensinar a lei do amor a todos os homens.

Jesus foi um revolucionário, no sentido de viver no mundo material com os valores espirituais sublimados na sabedoria e no amor. Por isso seus ensinos provocam, quando entendidos e aceitos, uma necessidade interior, uma convicção do valor do bem, do progresso. E essa mudança interior exige luta intensa, não com os outros, mas consigo próprio. Daí, suas palavras: "Esforçai-vos por entrar pela porta estreita..." (Lucas, 13:24).

Demonstrou, claramente, que seus discípulos deveriam manter sempre a mesma atitude no bem, independente do meio, da situação, do acontecimento e das pessoas.

Viver no mundo, participar das coisas do mundo, buscar aprender com as experiências deste mundo, concorrer para o bem de todos, sabendo todavia, que somos seres espirituais, provisoriamente vivendo na Terra com o objetivo de evolução constante, no desenvolvimento de nós mesmos.

Viver no mundo sem prendermo-nos aos valores materiais, usando de tudo que a Terra nos oferece para benefício do ser eterno que somos.

Jesus é nosso modelo, nosso guia!

(Jornal Verdade e Luz Nº 179 de Dezembro de 2000)