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Ponham a MãoRichard Simonetti Conta-se que Jesus esteve recentemente na Terra e entrou num hospital público. Passou por um paraplégico, em cadeira de rodas. Viera para uma consulta. O Mestre disse-lhe: - Levanta-te e anda! O homem ergueu-se e deixou o consultório, empurrando a cadeira de rodas. Alguém perguntou-lhe: - Esse barbudo que falou com você é o novo médico? - Sim. - O que achou dele? - Igual aos outros. Não pôs a mão em mim. Poderíamos situar essa hilária história por exemplo de como as pessoas envolvem-se com a rotina e o imediatismo terrestre, sem se darem conta das dádivas que recebem. Mas há o outro lado: os médicos que, literalmente, não "pões a mão no paciente". Uma senhora consultou um desses profissionais apressados, rápidos no gatilho, que sacam o bloco receituário quando o cliente mal aponta em seu gabinete. Ao terminar a consulta, disse-lhe: - O senhor devia ser engenheiro. - Por quê? Acha que tenho jeito? - Bem, engenheiro lida com barro, cimento, cal, tijolos... É mais fácil. Está mais de acordo com sua índole. O senhor é frio, distante! - Ora, minha senhora. Há muita gente! Não posso dar atenção a todos. - Pois deveria. Por mais gente que atenda, considere que não está lidando com material de construção. As pessoas, meu caro doutor, precisam de atenção, principalmente quando fragilizadas pela doença. Certamente o médico não mudou de profissão, mas seria bom para ele, e para seus clientes, se mudasse sua maneira de ser. Meu pai, que foi enfermeiro, sempre falava de um médico humilde, de pouca cultura e precários conhecimentos, que atendia no posto de saúde onde trabalhava. Não obstante suas limitações, era o mais solicitado e eficiente. Calmo e gentil, tratava com carinho a clientela, consulta sem pressa, paciência de ouvir... Tinha sempre uma palavra de encorajamento, exprimia-se de forma otimista quanto ao diagnostico e prognóstico. Os pacientes saíam animados. Mais que simples receita, levavam um novo alento, a confiança de que seriam curados, algo decisivo em favor de sua recuperação. Aprendemos com a Doutrina Espírita que várias profissões envolvem preparo do espírito, antes de reencarnar, a fim de que possa ter um desempenho razoável, desenvolvendo experiências produtivas. Freqüenta escolas no Além, recebe instruções, planeja a própria estrutura orgânica, adequando-a ao exercício da atividade escolhida. Sem dúvida, a Medicina é das mais importantes, nesse aspecto. Deus quer que sejamos saudáveis, física e psiquicamente, para melhor aproveitamento das experiências humanas. A doença é, normalmente, um acidente de percurso, relacionado com nossa falta de cuidado com o corpo, no presente ou no pretérito. Daí a importância do médico, instrumento de Deus, em favor da saúde humana. Certamente, dentre todas as orientações recebidas ao reencarnar, o médico aprende como lidar com os enfermos, sob orientação do Evangelho, o mais perfeito manual de relações humanas. É preparado para "pôr a mão no paciente", isto é, dar-lhe atenção, tratá-lo com gentileza, receitar menos, conversar mais, motivá-lo para a saúde. Sou apaixonado pela Medicina. Tenho certeza de que fui médico em vida anterior, provavelmente do tipo que fica melhor cuidando do material de construção. Por isso, talvez, carrego a frustração de não ser discípulo de Hipócrates nesta existência. Evocando minha condição do passado, peço licença aos colegas do presente, para dizer-lhes: Cuidado, senhores doutores! Não malbaratem as oportunidades que lhes foram concedidas. Não frustrem os instrutores que os prepararam! Não negligenciem a orientação fundamental!: Por Deus! Ponham a mão nos pacientes! Revista "Visão Espírita", nº 26 |
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