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Cabelos CompridosRichard Simonetti Mal completou dezoito anos, o cabeludo tirou carta de motorista e já convocou o pai a dividir o carro com ele. - Sem problema, filho, mas antes há duas providências: entrar na Faculdade e cortar o cabelo. O jovem deu duro nos estudos e passou no vestibular. Quanto aos cabelos... - Estive pensando, pai. Sansão tinha cabelos compridos. Abraão, idem. E o próprio Jesus... - Tem razão, filho, mas... eles andavam a pé. Ensina a Doutrina Espírita: Ao renascer, o Espírito entra em estado de dormência. Desperta e toma posse de si mesmo, de suas tendências e aptidões, de sua maneira de ser, a partir da adolescência. O adolescente seria, então, o dorminhoco que acorda de longo sono. Será por isso que gostamos tanto de dormir? Salvo o Espírito evoluído, que consegue vencer as limitações impostas pelo processo, levará algum tempo para se submeter às disciplinas da nova existência. Enquanto isso não acontece, certas peculiaridades fazem dele um "aborrescente":
Por outro lado, um comportamento contraditório:
Segundo a questão 383, de O Livro dos Espíritos, durante a infância, o Espírito "...é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo." Isso significa que podemos modificar as disposições de nossos filhos, ajudá-los a super tendências indesejáveis que trazem de vidas anteriores e prepará-los de forma que o seu despertar para a vida seja menos complicado; que estejam menos vulneráveis às influências negativas, capazes de atravessar essa transição difícil de forma equilibrada, sem traumas, sem desajustes, sem cabelos compridos... Na adolescência, integrados na nova experiência, será mais difícil. Terão suas próprias iniciativas. Dependerá deles. Ainda assim, podemos fazer algo, exercitando o diálogo e o entendimento, oferecendo-lhes ambiente de entendimento, carinho e amor, fundamentais para quebrar suas resistências e modificar suas disposições. Nem por isso devemos descartar a disciplina. O prezado leitor poderá considerar que na história que contamos faltou habilidade ao pai, ao impor determinado comportamento, ao ferir o livre-arbítrio do filho. Mas, ainda que o neguem, os filhos querem isso, precisam de alguém que lhes imponha limites. Lembro-me de um amigo que prescrevia determinadas regras aos filhos adolescentes. Impensáveis o piercing, as tatuagens, os cabelos compridos, a troca do dia pela noite, a ausência nas reuniões do Centro. Quando os filhos reclamavam, explicava, tranqüilo: - Meus queridos, quem paga a conta, envolvendo seus estudos, alimentação, moradia, vestuário, saúde, lazer, sou eu. Enquanto for assim, tenho o direito de decidir o que é bom para vocês. Quando tiverem seu emprego, sua casa, sua vida, então poderão fazer o que lhes der na telha. Talvez algum psicólogo se escandalizasse. Mas há um detalhe: os quatro filhos, todos homens bem-sucedidos, realizados, honestos, religiosos, adoram o pai e bendizem a educação que receberam. E nenhum deles foi cabeludo. Revista "Visão Espírita", nº 24 |
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