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Aos olhos do SenhorRichard Simonetti “Pois que ele será grande aos olhos do Senhor; não
beberá vinho nem bebida alguma inebriante.” — Anjo Gabriel. Em todas as épocas, sempre que se interessa pela vida religiosa, o homem tem sido inspirado a evitar paixões e vícios humanos, simbolizados no vinho do prazer. Esse empenho, considerado fanatismo intransigente pela multidão, é pura e simplesmente uma imposição de serviço, da qual não podem furtar-se aqueles que desejam servir. As Forças do Bem pedem instrumentos equilibrados e puros, para que possam manifestar-se em toda a sua plenitude na Terra, derramando bênçãos de conforto e progresso para a civilização. Todavia, aqueles que procuram os templos raramente se sentem dispostos ao esforço necessário para eliminar hábitos e tendências, cuja satisfação consideram indispensável ao seu bem-estar. Daí sua preferência pelo culto exterior, renunciando a qualquer atividade religiosa que implique em responsabilidade individual. Desejam o Céu, mas não pretendem tirar os pés do chão; Anulam, assim, qualquer possibilidade de sintonia com os amigos invisíveis e reclamam que foram abandonados quando seus excessos geram a perturbação. Pelas mesmas razões, surgem no seio de todas as religiões tarefeiros dotados de grandes possibilidades espirituais, mas que fracassam desastradamente. Preparados para marchar na vanguarda, esquecem a exemplificação e acabam estacionados nas trevas da retaguarda. Para que tão lamentáveis enganos sejam evitados, encontramos nos postulados da Doutrina dos Espíritos as mais severas advertências, dirigidas principalmente aos médiuns — instrumentos da revelação —, no sentido de que tomem todo o cuidado em preservar a condição de servir, evitando comprometerem-se em desvios que fatalmente lamentarão mais tarde. Médiuns que descuidam da higiene mental e física; que perseguem o conforto e o comodismo; que rendem culto ao álcool, ao fumo e à mesa farta; que estimam a lascívia; que cultivam a maledicência; que sentem prazer em desprezar e humilhar; que não vigiam as suas atitudes e reações, nem buscam a oração contrita de quem reconhece a própria fraqueza e luta por vencê-la, jamais serão instrumentos eficientes nem úteis. Se médiuns passistas, comprometerão o serviço de ajuda, associando suas vibrações desajustadas aos fluidos reconfortantes emitidos pelos benfeitores espirituais. Se médiuns psicofônicos ou psicógrafos, nunca lograrão captar, com a desejada exatidão, o pensamento dos instrutores do espaço, transmitindo manifestações em que prevalecerão, sem proveito, fantasias anímicas. Se médiuns intuitivos ou inspirados, lutarão com tremendas dificuldades para concatenar idéias, repetindo comentários sem originalidade e conceitos sem lógica. Muitos abandonarão a tarefa, arrastados para o desequilíbrio pelas influências inferiores que insistiram em prestigiar. Gostariam de ser “grandes aos olhos do Senhor”, como João, o Batista. Esquecem-se, entretanto, de que sua grandeza não foi mero fruto da graça divina, pois, como filhos de Deus, todos a usufruímos, e sim porque o precursor, revelando disciplina e perseverança, jamais sorveu a taça dos enganos terrestres. Reformador – fevereiro, 1965 |
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