O Cordeiro de Deus

Paulo Alves de Godoy

Os antigos profetas prediziam e o povo hebreu aguardava a vinda do Messias prometido. Chegou a época oportuna, quando a mentalidade da raça israelita estava amadurecida para absorver os princípios que o Enviado de Deus iria semear. Eis então que num mísero estábulo, na humílima cidade de Bethlém, no Oriente-Médio, nascia o maior dos missionários que baixara à terra: Jesus Cristo.

O sublime missionário, em sua trajetória, distribuiu messes de luzes para os obscuros membros das tribus de Israel, porém os princípios do sacerdócio judeu, não viram em Jesus, o Messias que haveria de vir, pois o orgulho da raça não lhes permitiu conciliar as razões pelas quais o seu Rei e Salvador viesse em condições tão humildes. Julgavam que ele fosse um batalhador que abalasse as estrutura do Império Romano e que transpusesse as fronteiras dos outros povos, que levasse as armas do reino de Israel até os mais recônditos lugarejos do mundo conhecido; um rei que sobrepujasse Salomão e Moisés; um rei que desse à suposta "raça eleita", a qualidade de raça superior na Terra. Por isso, não aceitaram as palavras do Mestre e chegaram ao extremo de crucificá-lo entre dois ladrões, perseguindo sua doutrina e seus dedicados apóstolos, desconhecendo que sua repulsa ao Mestre representava o futuro desmembramento do reino e a dispersão dos judeus.

O Cristo predisse tudo "e como uma galinha ajunta os seus pintaínhos" Ele também desejou ardentemente reunir os belicosos descendentes de Israel. A interpretação das escrituras e das palavras dos rabinos, em seu sentido literal, atribuía a Deus a predileção por uma raça, mas uma raça que tinha o orgulho por apanágio e desconhecia que Deus é soberanamente justo e bom..

A dispersão dos Judeus sintetiza, portanto, o fim de todos os povos orgulhosos da Terra; significa o poder da luz sobre as trevas; representa o predomínio da razão sobre o ódio e da justiça sobre os turbulentos. Para Deus o Galileu não é superior ao Samaritano, nem o sumo pontífice do templo ao humilde pescador.

(Jornal Mundo Espírita de Agosto de 1997)