Assiduidade e Pontualidade

Aureliano Alves Netto

Nenhuma instituição pode alcançar pleno rendimento na objetivação de seus propósitos, se se dissocia da disciplina.

Nas instituições espíritas, sobretudo, a disciplina constitui a pedra angular de todo o êxito. Essa disciplina não é subserviência no obedecer. É cooperação no realizar. É adjutório no servir. Colaboração consciente de quem sabe dispor de suas possibilidades em benefício do próximo e, ao mesmo tempo, esforço pela própria evolução. Nobre atitude de humildade, que se não confunde com humilhação.

A disciplina, sinônimo de ordem, organização, começa, nas organizações espíritas, pela assiduidade dos respectivos membros às reuniões, doutrinárias ou práticas.

A perseverança representa energia concentrada, geratriz de sucessos sem conta. Assiduidade é perseverança. Portanto, elemento de suma importância para a boa marcha dos trabalhos em pauta.

Lamentavelmente, há muitos confrades que, por displicência ou comodismo, só freqüentam os Centros esporadicamente, muita vez porque necessitam de uma receita mediúnica... Outros, até que demonstram interesse em se fazerem presentes às sessões e realmente as freqüentam numa periodicidade que julgam satisfatória. Têm boa vontade. Falta-lhes apenas o hábito da continuidade. E o hábito é uma Segunda natureza, como pontificava Sto. Agostinho.

A pontualidade é o complemento ideal e lógico da assiduidade. Luís XVIII, da França, proclamou certa vez que a pontualidade é a polidez dos reis. – É um dever de todos: de nobres e plebeus, de súditos e soberanos – dizemos nós.

Para André Luiz, a pontualidade é tema essencial do cotidiano, disciplina da vida.

Em qualquer circunstância, pontualidade é sempre um dever, mas no caso particular do obreiro da seara espírita, assume o aspecto de inalienável compromisso de honra.

As reuniões espíritas devem obedecer a um horário fixo de abertura e encerramento dos trabalhos. Há Espíritos que se tornam freqüentadores habituais e não seria de boa ética fazê-los esperar. Adverte Kardec:

"Eles têm suas ocupações e, além disso, podem achar-se em condições desfavoráveis para serem evocados. Quando as reuniões se efetuam em dias e horas certos, eles se preparam antecipadamente a comparecer e é raro faltarem. Alguns mesmo há que levam ao excesso em sua pontualidade. Formalizam-se, quando se dá o atraso de um quarto de hora e, se são eles que marcam o momento de uma reunião, fora inútil chamá-los antes desse momento." (O Livro dos Médiuns, 24a edição da FEB, p. 360).

A regularidade das reuniões importa noutras vantagens, como, por exemplo, a que assinala Leon Denis em No Invisível, 6a edição também da FEB, página 106: "Convém reunir-se em dias e horas fixos e no mesmo lugar. Os Espíritos podem se apropriar assim dos elementos fluídicos que lhes são necessários, e os lugares de reunião, impregnando-se desses fluidos, tornam-se cada vez mais favoráveis às manifestações".

Assiduidade e pontualidade, no final de contas, a gente pode praticar sem maiores sacrifícios. Com o dispêndio, tão-só, de um pouco de boa vontade. É só adquirir o hábito...

(Jornal Mundo Espírita de Janeiro de 1998)